Canas e Senhorins (sem censura)
Todas as opiniões sem censuras, mas com respeito e civismo! Bem vindos todos.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Será Coincidência?!

No livro "O Demónio e a Senhorita Prym", de Paulo Coelho, encontra-se uma história muito parecida com a de Canas de Senhorim, explica o que aconteceu aos traidores de "Viscos", extracto dessa história.

- Viscos tem três ruas, uma pequena praça com uma cruz, algumas casas em ruínas, outras bem conservadas, uma igreja, um hotel, uma caixa de correio num poste, uma igreja com um pequeno cemitério ao lado.
Pelo menos dera uma descrição mais completa desta vez. Já não estava tão nervosa.
- Como todos nós sabemos, era um reduto de marginais, até que o nosso grande legislador Ahab, depois de convertido por São Savin, conseguiu transformá-lo neste vilarejo que hoje abriga apenas homens e mulheres de boa vontade.
» O que o nosso estrangeiro não sabe, e vou contar agora, foi a maneira que Ahab usou para conseguir o seu intento. Em momento algum ele tentou convencer alguém, já que conhecia a natureza dos homens; iam confundir honestidade com fraqueza, e logo o seu poder seria posto em dúvida.
» O que fez foi chamar alguns carpinteiros de uma aldeia vizinha, dar-lhes um papel com um desenho, e mandar que construíssem algo no lugar onde hoje está a cruz. Dia e noite, durante uns dez dias, os habitantes da cidade ouviam o barulho de martelos, viam homens serrando peças de madeira, fazendo encaixes, colocando parafusos. Ao fim de dez dias, o gigantesco quebra-cabeças foi montado no meio da praça, e coberto com um pano. Ahab chamou todos os habitantes de Viscos para que presenciassem a inauguração do monumento.
» Solenemente, sem qualquer discurso, ele tirou o pano: era uma forca. Com corda, alçapão e tudo. Novinha, coberta com cera de abelha, de modo que pudesse resistir durante muito tempo às intempéries. Aproveitando a multidão aglomerada ali, Ahab leu uma série de leis que protegiam os agricultores, incentivavam a criação de gado, premiavam quem trouxesse novos negócios para Viscos, acrescentando que - dali por diante - teriam de arranjar um trabalho honesto ou mudar-se para outra cidade. Disse apenas isso, não mencionou uma vez sequer o "monumento" que acabara de inaugurar; Ahab era um homem que não acreditava em ameaças.
» No fim do encontro, vários grupos se formaram; a maioria achava que Ahab tinha sido enganado pelo santo, já não tinha a mesma coragem de antes, era preciso matá-lo. Nos dias que se seguiram, muitos planos foram feitos com esse objectivo. Mas todos eram obrigados a contemplar aquela forca no meio da praça, e perguntavam-se: o que está ela a fazer aí? Será que foi montada para matar os que não aceitarem as novas leis? Quem está do lado de Ahab, e quem não está? Temos espiões no meio de nós?
» A forca olhava os homens, e os homens olhavam a forca. Pouco a pouco, a coragem inicial dos rebeldes foi dando lugar ao medo; todos conheciam a fama de Ahab, sabiam que ele era implacável nas suas decisões. Algumas pessoas abandonaram a cidade, outras resolveram experimentar os novos trabalhos que tinham sido sugeridos, simplesmente porque não tinham para onde ir, ou por causa da sombra daquele instrumento de morte no meio da praça. Tempos depois, Viscos estava pacificada, tornara-se um grande centro comercial da fronteira, começou a exportar a melhor lã e a produzir trigo de primeira qualidade.
» A forca ficou lá durante dez anos. A madeira resistia bem, mas periodicamente a corda era trocada por uma nova. Nunca foi usada. Nunca Ahab disse uma palavra sequer sobre ela. Bastou a sua imagem para mudar a coragem em medo, a confiança em suspeita, as histórias de valentia em sussurros de aceitação. Ao fim de dez anos, quando a lei finalmente imperava em Viscos, Ahab mandou destruí-la e usar a sua madeira para construir uma cruz em seu lugar.
- Chantal fez uma pausa. O bar, completamente silencioso, escutou os aplausos solitários do estrangeiro.
- Uma bela história - disse ele. - Ahab conhecia realmente a natureza humana: não é a vontade de seguir as leis que faz com que todos se comportem como manda a sociedade, e sim o medo do castigo. Cada um de nós carrega esta forca dentro de si.

in Paulo Coelho, O Demónio e a Senhorita Prym.

2 Comments:

At 4:59 da tarde, Blogger Seva Alieva said...

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At 5:10 da tarde, Blogger Primadona said...

Muito interessante de facto, qualquer semelhança com a realidade será ficção...

 

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